Uveite: tipos, causas, sintomas e tratamentos

Dr. Gabriel Andrade

Oftalmologista com foco em Pesquisa Clínica

Dr. Gabriel Andrade

Oftalmologista com foco em Pesquisa Clínica

A uveíte é uma doença ocular inflamatória que figura entre as principais causas de cegueira evitável no mundo — e também entre as menos conhecidas pelo público geral. Diferente de outras doenças oculares, ela pode acometer pessoas de qualquer idade, incluindo crianças e adultos jovens.

Por envolver estruturas profundas do olho e por sua relação frequente com doenças sistêmicas, o diagnóstico da uveíte exige uma abordagem médica cuidadosa e, muitas vezes, multidisciplinar.

Neste artigo, você vai entender o que é a uveíte, seus tipos, causas, sintomas, diagnóstico e as principais opções de tratamento disponíveis.

O que é a uveíte?

A uveíte é a inflamação da úvea — camada vascular média do olho, composta pela íris, corpo ciliar e coroide. Essa inflamação pode afetar estruturas adjacentes, como a retina, o nervo óptico e o vítreo.

A doença é classificada de acordo com a localização da inflamação:

  • Uveíte anterior — afeta a íris e o corpo ciliar (irite ou iridociclite) — a forma mais comum
  • Uveíte intermediária — acomete o vítreo e a retina periférica
  • Uveíte posterior — envolve a coroide e/ou a retina
  • Panuveíte — inflamação de todos os segmentos do olho

Quais são as causas da uveíte?

As causas da uveíte são diversas e a investigação é fundamental para orientar o tratamento. Entre as principais estão:

  • Causas autoimunes e reumáticas — artrite reumatoide juvenil, espondilite anquilosante, sarcoidose
  • Doenças infecciosas — toxoplasmose ocular, herpes simples, citomegalovírus, tuberculose, sífilis
  • Causas idiopáticas — em muitos casos, a causa não é identificada
  • Traumas oculares
  • Neoplasias intraoculares (raro, mas possível)

Quais são os sintomas da uveíte?

Os sintomas variam conforme o tipo e a localização da inflamação:

  • Olho vermelho — especialmente ao redor da córnea
  • Dor ocular — intensa na uveíte anterior
  • Fotofobia (sensibilidade à luz)
  • Visão borrada ou turva
  • Moscas volantes (corpos flutuantes) — frequentes na uveíte intermediária e posterior
  • Redução da acuidade visual, que pode ser grave nos casos posteriores

Nas formas intermediária e posterior, a doença pode ser pouco sintomática nos estágios iniciais, tornando o diagnóstico mais tardio.

Como é feito o diagnóstico da uveíte?

O diagnóstico exige avaliação oftalmológica especializada combinada com investigação sistêmica. Os principais recursos são:

  • Biomicroscopia — identifica células e precipitados na câmara anterior
  • Fundoscopia — avalia o vítreo, retina e coroide
  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT) — avalia edema macular e alterações retinianas associadas
  • Angiografia fluoresceínica — identifica vazamentos e isquemia
  • Exames laboratoriais e de imagem sistêmicos — para investigar causa de base

Como é feito o tratamento da uveíte?

O tratamento depende da causa, localização e gravidade da doença. As principais abordagens incluem:

  • Corticoides — tópicos, perioculares ou sistêmicos, conforme a localização
  • Imunossupressores — para casos crônicos ou corticodependentes
  • Terapias biológicas — com uso crescente em uveítes refratárias
  • Tratamento etiológico — antibióticos, antivirais ou antiparasitários, quando há causa infecciosa identificada
  • Injeções intravítreas — corticoides de depósito em situações selecionadas

Conclusão

A uveíte é uma doença complexa, mas que pode ser controlada e tratada com eficácia quando diagnosticada precocemente e acompanhada por um oftalmologista com experiência na área. O fator-chave é não ignorar sintomas como olho vermelho persistente, dor ocular ou moscas volantes de início súbito.

Se você tem diagnóstico de uveíte e quer saber se há estudos clínicos em andamento no Brasil, consulte nosso mapa de centros de pesquisa em oftalmologia. O próximo passo é mais simples do que parece.

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