A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é hoje uma das condições com maior atividade de pesquisa clínica em oftalmologia no mundo, e o Brasil faz parte desse movimento. Novos medicamentos, novas vias de administração e novas combinações terapêuticas estão sendo estudados em centros brasileiros aprovados pela ANVISA.
Os números ajudam a entender a dimensão do problema: estima-se que a DMRI afete cerca de 8,7% da população mundial, com prevalência ainda maior em pessoas com mais de 50 anos. Na Europa e na América do Norte, a doença chega a atingir entre 14% e 18% dos indivíduos acima dessa faixa etária. No Brasil, a diversidade étnica da população influencia as taxas, mas o envelhecimento acelerado coloca a DMRI em crescimento constante — e uma pesquisa da Associação Retina Brasil revelou que 81% dos brasileiros nunca ouviram falar da doença, o que reforça a urgência da informação e do diagnóstico precoce.
Mas o que exatamente está sendo investigado? O que diferencia os estudos atuais dos tratamentos já disponíveis? E o que um paciente com DMRI precisa saber para entender se um estudo pode ser relevante para o seu caso?
Neste artigo, você vai conhecer o panorama atual da pesquisa clínica em DMRI no Brasil: o que está sendo estudado, quais são os perfis de pacientes buscados e como funciona a participação.
O que é pesquisado nos estudos clínicos de DMRI?
As pesquisas em DMRI atualmente investigam diferentes frentes terapêuticas, conforme o tipo e o estágio da doença:
- DMRI neovascular (forma úmida), novos anti-VEGF com maior duração de ação, permitindo intervalos maiores entre as injeções
- Atrofia geográfica (forma seca avançada), medicamentos que atuam sobre o sistema complemento e outras vias inflamatórias envolvidas na perda celular
- Novos sistemas de liberação, implantes intravítreos ou supracoroidais que liberam o medicamento de forma gradual e prolongada, reduzindo a frequência de injeções
- Terapia gênica, estudos investigam a possibilidade de modificar geneticamente células da retina para produzir fatores protetores de forma contínua
Qual é a diferença entre o tratamento convencional e os estudos clínicos em DMRI?
O tratamento convencional da DMRI neovascular hoje utiliza principalmente anti-VEGF aprovados, administrados por injeção intravítrea em intervalos regulares.
Os estudos clínicos investigam medicamentos com maior potência ou duração, podendo reduzir o número de injeções necessárias por ano; terapias para atrofia geográfica, forma da DMRI que ainda não tinha tratamento aprovado até recentemente; e combinações de mecanismos de ação diferentes para pacientes que não respondem adequadamente ao anti-VEGF isolado.
Que perfil de paciente os estudos de DMRI costumam buscar?
Os critérios variam conforme o protocolo, mas os perfis mais comuns incluem:
- Diagnóstico confirmado de DMRI neovascular ou atrofia geográfica
- Acuidade visual dentro de uma faixa específica definida pelo protocolo
- Ausência de certas comorbidades oculares ou sistêmicas
- Pacientes virgens de tratamento ou com histórico específico de anti-VEGF
O centro de pesquisa é quem avalia a elegibilidade de cada paciente na triagem.
Como funciona a participação em um estudo de DMRI?
O fluxo típico de participação inclui:
- Encaminhamento pelo oftalmologista ou busca ativa pelo paciente no mapa de centros
- Triagem com exames específicos (OCT, acuidade visual, retinografia)
- Assinatura do TCLE e inclusão no estudo, se elegível
- Injeções e visitas de acompanhamento conforme o protocolo, todas cobertas pelo patrocinador
A pesquisa clínica em DMRI está mais perto do que você imagina
A pesquisa clínica em DMRI está em um momento de grande evolução. Para pacientes com essa condição, conhecer o que está sendo estudado e como acessar esses estudos pode significar uma oportunidade terapêutica real, com cuidado especializado e sem custo.
Consulte nosso mapa de centros de pesquisa em oftalmologia para saber quais estudos estão em andamento no Brasil. O próximo passo é mais simples do que parece.
Conteúdo produzido pela equipe Pesquisa Clínica Brasil · Plataforma dedicada à pesquisa clínica oftalmológica no Brasil.