Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI): causas, tipos e tratamentos

Dr. Gabriel Andrade

Oftalmologista com foco em Pesquisa Clínica

Dr. Gabriel Andrade

Oftalmologista com foco em Pesquisa Clínica

A degeneração macular relacionada à idade é uma das principais causas de perda visual em pessoas acima de 50 anos, especialmente em países desenvolvidos. Apesar de ser uma condição crônica e progressiva, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado podem fazer toda a diferença na preservação da visão.

Muitos pacientes só procuram um oftalmologista quando a visão central já está comprometida — e, nesse momento, parte das alterações já pode ser irreversível. Entender os sinais, os fatores de risco e os tratamentos disponíveis é o primeiro passo para agir a tempo.

Neste artigo, você vai conhecer o que é a DMRI, suas causas, sintomas, métodos de diagnóstico, os dois principais tipos da doença e as opções terapêuticas disponíveis hoje na oftalmologia.

O que é a degeneração macular relacionada à idade (DMRI)?

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença ocular crônica e progressiva que afeta a mácula — a região central da retina, responsável pela visão central detalhada usada para ler, dirigir e reconhecer rostos.

Com o envelhecimento, estruturas dessa região sofrem alterações que comprometem a função visual central, 

mesmo quando a visão periférica permanece preservada. É por isso que muitos pacientes relatam dificuldade para ler ou enxergar de frente, mas continuam enxergando bem dos lados.

A DMRI não causa cegueira total, mas pode comprometer significativamente a autonomia e a qualidade de vida quando não é monitorada e tratada.

Quais são as causas e fatores de risco da DMRI?

A degeneração macular relacionada à idade é uma doença multifatorial, ou seja, resulta da combinação de vários fatores. Entre os principais estão:

  • Idade avançada — risco aumenta significativamente após os 50 anos
  • Histórico familiar e genético de DMRI
  • Tabagismo — um dos fatores de risco modificáveis mais relevantes
  • Hipertensão arterial
  • Dislipidemia (alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos)
  • Obesidade
  • Exposição excessiva à luz solar sem proteção adequada

Pessoas que combinam vários desses fatores têm risco ainda maior. O controle dos fatores modificáveis — como parar de fumar, manter peso saudável e cuidar da pressão arterial — é uma das medidas mais eficazes de prevenção.

Quais são os sinais e sintomas da DMRI?

Os sintomas da DMRI geralmente afetam apenas a visão central, preservando a visão periférica. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Visão borrada ou distorcida na região central
  • Dificuldade para ler ou reconhecer rostos
  • Linhas retas que aparentam onduladas — sinal clássico conhecido como metamorfopsia
  • Mancha escura ou área embaçada no centro da visão (chamada de escotoma)
  • Necessidade de mais luz para realizar atividades visuais
  • Alteração na percepção de cores

Como o início costuma ser gradual e indolor, muitos pacientes demoram para perceber as alterações — especialmente quando apenas um dos olhos está afetado, já que o outro tende a compensar. Por isso, consultas oftalmológicas regulares após os 50 anos são fundamentais.

Como é feito o diagnóstico da DMRI?

O diagnóstico da degeneração macular relacionada à idade combina avaliação clínica com exames de imagem específicos da retina. Entre os métodos mais utilizados estão:

  • Fundoscopia — exame do fundo de olho que permite visualizar a mácula
  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT) — exame de imagem detalhado que avalia as camadas da retina
  • Angiografia fluoresceínica — útil para identificar vazamentos e neovasos
  • Teste de Amsler — ferramenta simples, podendo ser usada inclusive em casa, que detecta distorções visuais sugestivas de comprometimento macular

A combinação desses exames permite que o oftalmologista identifique o tipo da DMRI, o estágio da doença e a melhor conduta a ser adotada.

Quais são os tipos de DMRI?

Existem dois tipos principais de degeneração macular relacionada à idade, com características, progressão e tratamentos diferentes.

DMRI seca (atrófica)

É a forma mais comum, respondendo por cerca de 85% a 90% dos casos. Caracteriza-se por:

  • Progressão lenta ao longo dos anos
  • Acúmulo de drusas (depósitos amarelados) na região macular
  • Risco de evoluir para atrofia da retina em estágios avançados

Não existe cura para a DMRI seca, mas é possível retardar sua progressão. O manejo inclui suplementação com antioxidantes e vitaminas específicas (sempre sob indicação médica), controle rigoroso dos fatores de risco e acompanhamento oftalmológico regular.

DMRI úmida (exsudativa)

É a forma menos comum, porém mais grave. Caracteriza-se por:

  • Progressão rápida, que pode levar à perda visual em semanas ou meses
  • Formação de neovasos anormais sob a retina, que podem vazar líquido ou sangue
  • Maior risco de perda visual súbita, exigindo intervenção imediata

As principais opções de tratamento incluem injeções intravítreas de anti-VEGF (considerado o padrão atual), fotocoagulação a laser em casos específicos e terapia fotodinâmica em situações selecionadas.

Por que a pesquisa clínica é importante no contexto da DMRI?

A DMRI continua sendo um dos grandes desafios da oftalmologia moderna — especialmente porque a forma seca, mais comum, ainda não possui cura.

Novas terapias estão sendo desenvolvidas por meio de estudos clínicos em oftalmologia, oferecendo a pacientes selecionados o acesso antecipado e gratuito a tratamentos inovadores, sob acompanhamento médico especializado em centros aprovados pela ANVISA e pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).

A participação em uma pesquisa clínica não substitui o tratamento convencional — ela amplia as opções disponíveis e contribui para o desenvolvimento de terapias que poderão beneficiar milhões de pessoas no futuro.

Conclusão

A degeneração macular relacionada à idade é uma doença séria, mas que pode ser monitorada e tratada quando identificada precocemente. Cuidar dos fatores de risco, manter consultas oftalmológicas regulares e estar atento aos primeiros sinais são atitudes que fazem diferença real na preservação da visão.

Se você ou alguém da sua família tem DMRI e quer saber se existem estudos clínicos em andamento para degeneração macular relacionada à idade no Brasil, consulte nosso mapa de centros de pesquisa em oftalmologia. O próximo passo é mais simples do que parece.

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